A "Doutrina Vegan"

Atualizado: Set 4


Há alguns dias atrás em um grupo que participo no Facebook surgiu a seguinte pergunta: Gostaria de saber de vocês... O que te impede de parar de comer carne?


Cada vez mais percebo que as pessoas estão preocupadas com a alimentação, o que é uma coisa boa, mas elas sabem muito pouco sobre a comida e como ela é produzida. Um lema que se escuta muito por aí é o “você é o que você come” e acredito que o fato de se alimentar de carne de animais estar relacionado a ter que matá-los para isso, dá a entender que se alimentar de carne faz de você um assassino em série, já que se você come um cadáver você tem mais a ver com Hannibal Lecter do que com Mahatma Gandhi.


O duro de perguntas como essa é a carga que vem por trás delas. Eu sei que não devemos tirar conclusões, mas ela chega a mim da seguinte forma: Seu bosta, você come carne porque é fracote que não liga para o planeta. Mas o fato de eu gostar, conta? E o fato de preparar um bom churrasco com os amigos e estreitar os laços de amizade, conta também? E os benefícios à saúde? A verdade é que não há evidências científicas de que a carne faça mal à saúde e os benefícios sociais em relação a ela são inerentes a cada indivíduo. Logo, a decisão é SUA e somente SUA.


Seu bosta, você come carne porque é fracote que não liga para o planeta...

Por curiosidade, fiz aquela pergunta do grupo ao Google e o primeiro artigo que apareceu foi um da Super Interessante, publicado em 31 de março de 2002 e atualizado pela última vez em 2 de agosto de 2019, intitulado “Deveríamos parar de comer carne?”, afirmando ser uma matéria que tentaria ajudar na decisão de comer ou não carne com o máximo possível de informação insuspeita sobre cada um dos muitos aspectos envolvidos nessa importante decisão.


Pensei: Pô, é a Super Interessante né, os caras vão ouvir ambas as partes.


Ledo engano... Me pareceu que o artigo foi escrito para reforçar a ideia de que o fato de um ser humano comer carne desencadeia uma série de coisas ruins, como: desmatamento, fome no mundo, desperdício de água, aquecimento global, sofrimento animal, relações abusivas no trabalho da indústria, discriminação étnica e, pasmem, até um dos motivos das grandes navegações foi a falta de espaço para colocar bois nos campos europeus.


A polarização ideológica encontra terreno fértil até em processos de decisão que estão no âmbito individual e, apesar do vegetarianismo ou qualquer uma de suas designações, se manter proporcionalmente estável em relação à população total, muito do seu crescimento nos últimos anos tem sido pautado no marketing do medo, no pouco conhecimento em relação ao processo produtivo e pouca (ou nenhuma) abertura ao diálogo sério, o tripé que eu chamo de “Doutrina Vegan”.


Eu fico com o equilíbrio através de uma dieta que contemple o que é necessário para uma boa saúde, evitando o desperdício e me esforçando a ensinar às pessoas próximas quais são os caminhos percorridos por cada alimento até chegar à sua mesa.


Sem essa de “Animais VS Vegetais”... Não seja um Doutrinador Vegan...


*Paulo Ozaki é Engenheiro Agrônomo pela ESALQ-USP e Gestor do Canivete Nutripura. Além disso é fundador do primeiro Podcast do agronegócio brasileiro, o Agro Resenha Podcast.


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