Distância? Só do Coronavírus


Sem entrar no mérito do certo ou errado, mas o indivíduo que sai às ruas sem tomar o devido cuidado em relação à COVID-19 (Coronavírus) é o mesmo com o qual o agronegócio tem a árdua tarefa de se comunicar. Missão fácil, não?


Ainda que eu esteja vivendo em Cuiabá, bem no meião do Brasil, os reflexos da atual pandemia também chegaram por aqui e têm assustado a população como um todo, de modo que várias pessoas, especialmente as que precisam sair de suas casas, estão nas ruas com máscaras e potes de álcool em gel ao alcance das mãos.


Por outro lado, tem uma turma que acha tudo isso um exagero e que, sem muito senso de comunidade, acabam não se cuidando e se expondo ao vírus que, mesmo sem a gente ver, está por aí.



Não quero chover no molhado e escrever aqui tudo o que provavelmente você já leu, ouviu e viu em noticiários e grupos de WhatsApp, mas fazendo uma pesquisa sobre o Novo Coronavírus, “descobri” que os bons modos são a solução para estes tempos de crise, ou seja: não saia se estiver com sintomas de gripe, se sair use a máscara (quem não está doente o uso é facultativo); lave as mãos com água e sabão sempre, especialmente antes e depois que tiver contato com outras pessoas... tenha higiene; mantenha uma distância segura do próximo, não seja o chato que fica cutucando a pessoa da frente na fila.


De todas as recomendações, a mais dolorida é se afastar das pessoas com mais de 60 anos de idade. Infelizmente é nesta faixa da população em que se encontra o chamado “grupo de risco”, ou seja, a chance de óbito é maior caso adquira a doença. Use e abuse das ligações por vídeo. Os vovôs e vovós agradecem!


Em linhas gerais, é relativamente simples seguir estas recomendações. Tem sim uma certa dose de sacrifício, porém seguindo a cartilha dos bons modos é possível.


Mas aí surge a questão: Por que diabos sempre tem gente que não as seguem?

Pra estas pessoas não há evidências científicas e, muito menos, dados concretos que as façam crer que vivemos tempos difíceis. Infelizmente elas serão vetores de inúmeros casos que virão nas próximas semanas ou meses. Nos resta aguardar e continuar orientando as pessoas que se importam, o maior número possível delas.


Por fim, vejo muita semelhança disso tudo com a questão da comunicação do agro. Percebo a mídia especializada e os “agroinfluencers” se preocupando demais com quem não leva a sério nenhuma evidência científica e deixando de falar com quem precisa ser “conquistado”, com aqueles que querem entender mais como funciona este sistema tão complexo, no qual todos estamos juntos.


Estar produzindo o podcast me fez enxergar algumas coisas interessantes. Uma delas é que a grande maioria das pessoas que não trabalham no nosso setor já não sabem coisas básicas da dinâmica do campo, o que as fazem perder boas oportunidades, especialmente de negócio. Outro ponto importante é que estas pessoas, muitas vezes, não têm oportunidade de criar empatia com quem ama o agro e, por isso, permanecem distantes.


Façamos que esta distância se mantenha apenas em tempos de Coronavírus...


*Paulo Ozaki é Engenheiro Agrônomo pela ESALQ-USP e Gestor do Canivete Nutripura. Além disso é fundador do primeiro Podcast do agronegócio brasileiro, o Agro Resenha Podcast.



Escute os últimos episódios do podcast:


74 visualizações

Agro Resenha

Podcast

  • Instagram - White Circle
  • LinkedIn - Círculo Branco
  • YouTube - Círculo Branco

© Criado por Paulo Ozaki. Para mais informações escreva para contato@agroresenha.com.br.

Assine o nosso mailling

  • Facebook
  • Instagram - Black Circle
  • Twitter
  • LinkedIn - Black Circle
  • YouTube - Black Circle