Esopo e a taxação do agronegócio


Esopo foi um escritor que viveu entre os anos 620 e 564 A.C. na Grécia Antiga. É atribuída a ele uma série de fábulas cujo objetivo era prover ensinamentos morais para crianças, fato que acontece até nos dias atuais. Você já deve ter ouvido várias delas, tais como: “A raposa e as uvas”, “A cigarra e a formiga”, “A tartaruga e a lebre” e tantas outras.


Mas uma em especial me fez lembrar da aprovação, pela Assembleia Legislativa de MT, do novo Fethab (Fundo Estadual de Transporte e Habitação), um novo tributo a ser pago pelos produtores rurais do estado de Mato Grosso.


A fábula em questão é “A galinha e os ovos de ouro”.


Ela conta a história de um pobre fazendeiro que um dia descobre que uma de suas galinhas botou um ovo de ouro. Descrente de tal feito, pensou até em jogar o ovo fora pois pensava se tratar de alguma brincadeira de mau gosto. Encucado com o que aconteceu, resolveu levar o ovo para ser avaliado e “tcharaaaaam”: era um ovo de ouro maciço! 


Este fato por si só já representava uma mudança na sua sorte, no entanto percebeu que aquela galinha botava um ovo de ouro (apenas um!) todos os dias, o que fez, obviamente, que o pobre fazendeiro ficasse muito rico. 


O fazendeiro, cujos gastos aumentaram na mesma proporção em que sua fortuna aumentava, começou a ficar impaciente, já que ela só botava um ovo por dia.


Incapaz de esperar de esperar o ovo do dia seguinte, o fazendeiro decide matar a galinha e pegar todos os ovos de uma vez só. Mas ao abrir a pobre ave, percebeu que ela não era nada diferente por dentro do que qualquer outra galinha do seu galinheiro, ou seja, ele perdeu a sua galinha dos ovos de ouro.


Ainda que a produção agropecuária demonstre um faturamento enorme, fazendo com que o setor seja o mais importante do estado, as margens das atividades, como: soja, milho, algodão e bovinocultura de corte, são muito pequenas, uma vez que são consideradas commodities agrícolas, em que os produtores são tomadores de preço.


Mais tributos encurtam ainda mais a margem, quando não a destrói. Margem apertada (ou prejuízo) diminui investimentos. Pouco investimento reduz produção. Queda na produção diminui arrecadação. E lá se foi a galinha dos ovos de ouro.


O equilíbrio das contas do governo através do sufocamento do setor que mais contribui economicamente com o estado (geração de empregos e serviços), me faz pensar que não há perspectivas de que o governo esteja analisando a ideia de reduzir gastos e fazer uma boa gestão do dinheiro público.


Moral da história: Ou os nossos governantes não estudaram macroeconomia ou eles nunca leram as fábulas de Esopo. Ou os dois...

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