O cinema emprega mais que o agronegócio



Calma, não fiquei doido (ainda não). 


Esta frase eu escutei um dia desses em São Paulo enquanto esperava o Uber na saída do metrô. Era uma rodinha de rapazes paulistanos, aparentemente artistas, que discutiam os rumos da política brasileira e seus impactos no setor.


É claro que o mercado audiovisual do Brasil (e muito menos o cinema sozinho) não emprega mais que o agronegócio, mas me segurei pra não estragar o bate papo da turma, afinal nenhum deles tentou ponderar... Não seria eu, o bobão do interior, que iria fazê-lo.


Esta história já aconteceu há alguns meses, em uma das minhas viagens a trabalho para a capital paulista, e sempre que eu lembro da situação, eu penso: “preciso saber como funciona esse negócio de cinema... vai que é verdade...”.


Então fui eu na minha busca por informações.


Descobri que no site da Ancine, a Agência Nacional do Cinema, tem um portal chamado Observatório Brasileiro do Cinema e do Audiovisual, o qual possui uma área de dados referentes ao mercado audiovisual brasileiro. Nele eu descobri que em 2018 a renda bruta das bilheterias no Brasil foi de R$ 2,46 bilhões, dos quais apenas 12% foi de filmes brasileiros, o resto foi pra Hollywood.


Descobri também que existem 1.015 empresas produtoras registradas no Brasil e que delas foram produzidos 1.251 curtas, médias e longas-metragens com Certificado de Produto Brasileiro (CPB), que é como se fosse a certidão de nascimento do produto audiovisual, além de 697 seriados e 2.271 obras independentes. Infelizmente não consegui encontrar quantos empregos foram gerados nessas 1.015 empresas, mas tinha um dado desatualizado na planilha que me chamou atenção: o PIB do Audiovisual no Brasil.


A informação mais recente é de 2014 e somou a quantia de R$ 24,5 bilhões, o que não deixa de ser um valor interessante, mas que representou ínfimos 0,4% do PIB brasileiro daquele ano, que foi de R$ 5,8 trilhões. Por outro lado, o PIB do agronegócio, calculado pelo Cepea, foi de R$ 1,1 trilhão, o equivalente a 19,1% de toda a riqueza produzida no nosso país em 2014.


Parece que o agronegócio é um setor 45 vezes maior que o audiovisual, mas os meninos não sabiam... 

Como diz Olavo de Carvalho, “no Brasil, as discussões partem de simples nomes e sinais, imediatamente associados a valores, ao ruim e ao bom, a despeito da completa ausência das coisas consideradas”, ou seja, na minha visão, a palavra “agronegócio” parece que virou palavrão e está imediatamente associada a valores ruins, alvo de ataques de uma minoria que grita (e alto!), mas que não representa a opinião da população em geral.


Vendo tudo isso acontecer, penso que quando o assunto é comunicação, o 0,4% ganha do 19,1%...

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