Ouvindo cavalos e criando filhos


A beleza da leitura é que temos uma oportunidade única de vivenciar uma experiência ou adquirir determinado conhecimento sob a ótica do autor e, ao combinar tudo isso com os arquivos gravados em nossa mente, podemos criar cenários e encontrar vínculos de pensamentos anteriormente distante uns dos outros.


Inicialmente seria muito improvável encontrar qualquer vínculo entre Augusto Cury e Monty Roberts, o primeiro um médico psiquiatra e escritor brasileiro e o segundo um cavaleiro norte-americano, pai da doma racional de cavalos no mundo. Improvável sim, impossível nunca!


Depois que me tornei pai, cada vez mais tenho estudado o tema educação e o título “Pais brilhantes, professores fascinantes” de Cury me chamou a atenção. Durante a leitura ele vai descrevendo, de forma bem didática, como pais e professores podem se comportar diante de situações difíceis que envolvem a criação de crianças num mundo cada vez mais frenético. Se você é pai ou professor, recomendo a leitura.


Além do tema educação, tenho um fascínio em ler biografias, pois é possível entender como a história das pessoas moldam suas personalidades e, assim, fica mais fácil compreender como se deram suas tomadas de decisão ao longo da vida. E nessa reencontrei um livro que adquiri em 2010 chamado “O homem que ouve cavalos”, do cavaleiro mundialmente conhecido Monty Roberts. Uma leitura agradável e inspiradora.


Tá, mas e aí? Onde um livro se encaixa ao outro?

Na medida em que Roberts vai destrinchando seu método de conexão com os cavalos, que o fez abolir definitivamente a doma violenta, diversas histórias sobre cavalos trabalhados por ele surgem, tanto os que deram brilhantemente certo, como os que, de alguma forma, deram errado. E em um que deu errado, chamado Barlet, ele conta que desde potro fora extremamente mimado por seu dono, que ensinava diversos truques (como se fosse um cachorro) com o objetivo de torna-lo famoso em filmes de Hollywood. No entanto, esta atitude de fazer tudo pelo animal quando jovem, tornou-o problemático e perigoso, de modo que pouquíssimas pessoas poderiam montá-lo de forma segura quando adulto.


Já no livro “Pais brilhantes, professores fascinantes”, Cury conta a história de uma mãe que não sabia dizer “não” ao seu filho, com receio de o magoar, já que não aguentava suas reclamações, birras e tumultos. Com isso, na medida em que o tempo ia passando, ela simplesmente não conseguia atender aos pedidos dele, que, por sua vez, perdeu o respeito por ela, passando a manipulá-la, explorá-la e discutir intensamente com ela. No fim, o importante para ele era o que a mãe tinha e não o que a mãe era.


Muitas pesquisas recentes mostram que grande parte do que somos, em termos de personalidade, é formado até os seis ou sete anos de idade, ou seja, na infância (aparentemente em animais isso também é verdadeiro), e tudo que passamos naquela idade está grudado em nosso ser como tatuagem, impedindo, muitas vezes, que consigamos enxergar diferente, sem as amarras do passado.


Como pai ou mãe, não deixe que seu filho(a) perca a alegria e a curiosidade na medida em que os anos passam. Como pessoa, não permita que o passado te defina, você tem o potencial de mudar a mentalidade e voltar à sua essência, basta começar a mudança.


Entre cavalos e psiquiatras há muito o que aprender sobre a vida...

*Paulo Ozaki é Engenheiro Agrônomo pela ESALQ-USP e Gestor do Canivete Nutripura. Além disso é fundador do primeiro Podcast do agronegócio brasileiro, o Agro Resenha Podcast.


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